A centola fueguina: o prato estrela de Ushuaia
Se há um prato que define a gastronomia de Ushuaia, esse é a centola fueguina (Lithodes santolla). Não é um caranguejo qualquer: é o rei dos frutos do mar do extremo sul, uma espécie de caranguejo gigante que habita as águas do Canal de Beagle e do Atlântico Sul a profundidades de entre 50 e 400 metros, em águas que no inverno caem a temperaturas de 2 ou 3 graus centígrados. Essas condições extremas são exatamente as que fazem com que a sua carne seja tão firme, doce e excepcional.
Uma centola adulta pode pesar entre 1,5 e 4 quilos, com patas que se estendem até 70 centímetros. A carne está concentrada principalmente nas patas e nas pinças — branca, fibrosa, ligeiramente doce, com um sabor de mar limpo que não precisa de muitos acompanhamentos para brilhar. É um daqueles ingredientes que os bons cozinheiros costumam dizer que devem ser "cozidos com respeito": quanto menos se intervém, melhor ele se comporta.
🦀 Como se pesca a centola no Canal de Beagle
A pesca de centola na Terra do Fogo é regulada pela Subsecretaria de Pesca provincial com cotas anuais e uma temporada oficial que vai de setembro a março. Os pescadores locais usam covos (armadilhas de arame) que são fundeados no fundo do canal em diferentes profundidades. Cada barco pode trabalhar com centenas de covos por dia, mas os controles são rigorosos para evitar a sobrepesca de uma espécie que levou décadas para se recuperar depois da pressão que sofreu nos anos oitenta.
O Canal de Beagle, esse corpo de água que separa a Argentina do Chile com as montanhas nevadas ao fundo, é uma das zonas de pesca mais espetaculares do mundo. As embarcações saem bem cedo pela manhã e voltam ao meio-dia com a captura do dia. Muitos restaurantes do centro recebem as suas centolas diretamente dos pescadores locais todas as manhãs — isso garante um frescor que não tem comparação com nenhum produto de transporte.
📅 Temporada de centola: quando ir
A temporada legal de centola vai de setembro a março, mas nem todos os meses são iguais. Os melhores meses são outubro, novembro e dezembro, quando as centolas têm a carapaça mais cheia, a carne mais abundante e os sabores mais pronunciados. Em janeiro e fevereiro a qualidade continua muito boa, embora a demanda turística possa fazer com que os restaurantes fiquem sem estoque cedo na semana.
⚠️ Importante: Se você viaja entre abril e agosto, a centola fresca não está disponível: a pesca é proibida por lei para proteger a reprodução da espécie. Nesses meses você pode encontrar centola em conserva (que é bem boa) ou em alguns preparos onde se usa centola congelada de temporadas anteriores, mas não é a mesma coisa que a fresca.
🍽️ Como se come a centola em Ushuaia
A forma mais tradicional e a preferida pelos locais é a centola cozida ao natural: simplesmente cozida em água do mar ou água com sal, sem mais aditivos, servida morna e acompanhada de manteiga clarificada ou um fio de limão. É a maneira mais honesta de entender o sabor real do produto. Para comê-la, os restaurantes costumam fornecer um quebra-nozes e pinças para abrir as patas — o processo em si já é parte da experiência.
Além da versão clássica, nos restaurantes de Ushuaia você vai encontrar a centola em várias preparações:
- Centola gratinada: carne de centola desfiada misturada com creme, queijo e ervas frescas, servida na própria carapaça e gratinada no forno. Muito popular nos restaurantes clássicos.
- Chowder de centola: sopa cremosa de estilo norte-americano com carne de centola, batata, cebola e creme. Perfeita para os dias frios, que em Ushuaia são a maioria do ano.
- Pastéis de centola: um dos petiscos mais procurados da cidade. A massa é quase sempre caseira e o recheio mistura centola desfiada com cebola, pimentão e às vezes um toque de merluza-negra.
- Centola em salada: em versões mais modernas, patas de centola sobre folhas verdes, abacate, pepino e molho cítrico. Uma opção refrescante para o verão fueguino.
- Centola na massa: alguns restaurantes autorais a usam como recheio de sorrentinos ou tagliatelles caseiros.
A centola mais fresca de Ushuaia é encontrada nas manhãs de segunda, quarta e sexta-feira, que são os dias em que a maioria das embarcações volta com a captura. Se a sua visita cair nesses dias, chegue cedo ao restaurante ou reserve com antecedência: os melhores exemplares somem antes do meio-dia. Os restaurantes localizados na orla ou perto do porto têm acesso mais direto aos fornecedores da primeira hora.
💰 Preço de referência da centola 2026
No restaurante, uma centola inteira (entre 1,5 e 2 kg) gira em torno de $25.000 a $40.000 ARS por pessoa, conforme o estabelecimento e o tamanho da peça. As porções individuais (meia centola ou preparos com a carne) são mais acessíveis e giram em torno de $15.000 a $22.000 ARS. Os pastéis de centola são vendidos entre $3.500 e $6.000 ARS a unidade nas rotisserias e cafés do centro. No mercado para levar, uma centola cozida inteira sai entre $18.000 e $30.000 ARS, dependendo do tamanho.
💡 Para turistas internacionais: os preços em pesos argentinos fazem com que a centola fueguina seja acessível para quem traz dólares ou euros. Uma centola inteira em um restaurante de nível médio equivale a entre USD 20 e USD 40 conforme a cotação — significativamente mais barato do que em qualquer outro destino onde se consiga um fruto do mar dessa qualidade.
O cordeiro magalhânico: diferenças com o patagônico de Calafate
O cordeiro é o segundo grande pilar da gastronomia fueguina. Se você já conhece o cordeiro patagônico de El Calafate, o fueguino vai lhe parecer familiar, mas diferente — e vale a pena entender essa diferença antes de pedi-lo.
O cordeiro magalhânico da Terra do Fogo é criado nas estâncias do extremo sul da ilha e da província de Magalhães (Chile), em um território onde o clima é mais frio, úmido e ventoso que a estepe patagônica seca de Santa Cruz. As temperaturas de inverno caem muito mais e o pasto que o animal consome — principalmente coirón e outras gramíneas nativas fueguinas — tem um perfil nutricional diferente do da estepe continental.
🐑 As diferenças que você percebe no prato
Essas condições de criação produzem uma carne com características próprias. Comparada com o cordeiro patagônico continental, a carne fueguina tende a ser um pouco mais gordurosa e intensa, com uma camada de gordura de cobertura mais pronunciada, que os chefs locais consideram fundamental para o sabor. O sabor é mais profundo, ligeiramente mais "selvagem", com menos doçura que o cordeiro de criação mais quente e uma maior concentração de sabores umami.
Para o espeto clássico — o cordeiro na cruz, aberto em borboleta e cozido ao lado do fogo durante três ou quatro horas — o cordeiro fueguino é excelente: a gordura de cobertura derrete lentamente e banha a carne durante o cozimento, gerando uma superfície caramelizada e uma textura interna muito macia. Muitos assadores da região preferem o cordeiro fueguino para o assado de estância, onde o ritual de cozimento lento é celebrado como uma cerimônia.
Nos restaurantes de Ushuaia o cordeiro aparece principalmente como:
- Cordeiro no espeto (na cruz): a versão mais autêntica, oferecida só por alguns restaurantes e churrascarias especializadas. É preparado com antecedência e, em geral, é preciso avisar o restaurante com algumas horas de antecedência.
- Cordeiro na grelha por cortes: paleta, pernil e costela são os cortes mais pedidos. Diretos, sem complicações.
- Ensopado ou guisado de cordeiro: um preparo lento com legumes e ervas que aparece nos restaurantes mais caseiros e nos meses mais frios do ano. É a versão mais reconfortante do ingrediente.
- Rack de cordeiro fueguino: nos restaurantes mais modernos, o rack (costela frenched) é a apresentação mais elegante, com crostas de ervas e molhos de frutas vermelhas austrais.
Se você tiver a oportunidade de fazer uma excursão a uma estância fueguina, o cordeiro no espeto servido ali é uma das experiências gastronômicas mais autênticas de toda a Patagônia. Estâncias como Las Cotorras ou Harberton costumam incluir um assado de cordeiro na sua proposta turística. Não é a mesma coisa que comê-lo em um restaurante do centro: é o cordeiro cozido no mesmo campo onde foi criado, com vista para a laguna ou para o canal.
🍷 Com o que acompanhar o cordeiro fueguino
Os vinhos patagônicos combinam muito bem com o cordeiro fueguino: um Malbec de Mendoza ou um Pinot Noir de Río Negro equilibram perfeitamente a gordura e a intensidade da carne. Para quem prefere cerveja, a Beagle Preta — uma stout escura produzida em Ushuaia — é uma harmonização surpreendentemente boa com o guisado de cordeiro ou o assado de estância. Também funciona bem a sidra artesanal fueguina, menos conhecida, mas disponível em alguns bares do centro.
Truta e merluza-negra em Ushuaia
Os frutos do mar e dos rios não se resumem à centola. Ushuaia tem dois peixes que merecem atenção especial: a truta arco-íris dos rios e lagos fueguinos e a merluza-negra, um peixe de águas profundas que nos últimos anos começou a aparecer nos cardápios dos restaurantes mais sofisticados da cidade.
🐟 Truta arco-íris fueguina
Os rios e lagos da Terra do Fogo — o Olivia, o Lapataia, o lago Fagnano, o Escondido — são habitat da truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss), introduzida na região no início do século XX, mas completamente adaptada ao ambiente austral. Nestas águas frias e limpas, a truta cresce mais devagar que em águas mais quentes e desenvolve uma carne firme, de cor rosada intensa, com um sabor muito mais delicado e complexo que a truta de piscicultura.
A truta fueguina aparece nos cardápios da maioria dos restaurantes de Ushuaia em diferentes preparos. O mais comum é a truta na grelha com manteiga de ervas — simples e perfeita. Também é preparada ao forno com limão e alcaparras, em papillote com vegetais da região, ou em ceviche frio para os dias de verão. Nos restaurantes mais criativos você pode encontrar truta defumada a frio, um processo que aqui é feito com lenha de lenga (a árvore mais característica do bosque fueguino) e que lhe confere um aroma completamente diferente do defumado industrial.
🎣 Para quem pesca: o Parque Nacional Terra do Fogo e as áreas de rios fueguinos têm zonas habilitadas para a pesca esportiva de truta. Com uma licença provincial (que se tira facilmente no centro) você pode ir pescar no rio Olivia ou no Lapataia. Se pescar truta no fim do mundo não está na sua lista de experiências de viagem, talvez você deva reconsiderar.
🐠 Merluza-negra: o ingrediente mais exclusivo de Ushuaia
A merluza-negra (Dissostichus eleginoides) é um dos peixes mais cotados do mundo nos mercados gourmet da Europa, do Japão e dos Estados Unidos — e em Ushuaia é pescada nas águas do Atlântico Sul e do Canal de Beagle. Não é uma merluza no sentido convencional: é um peixe de profundidade (entre 500 e 3.000 metros) com uma carne branca muito gordurosa, textura quase amanteigada e um sabor muito suave e delicado que se presta para preparos de alta gastronomia.
Durante anos, a maior parte da cota de merluza-negra pescada na Terra do Fogo era exportada diretamente para a Ásia e a Europa. Mas nos últimos anos, alguns restaurantes de Ushuaia começaram a incorporá-la aos seus cardápios locais, e hoje é possível comê-la na cidade onde é pescada, o que é uma experiência bastante especial. O preparo mais comum nos restaurantes locais é a merluza-negra grelhada com glaceado de frutas vermelhas ou com manteiga de limão e alcaparras. O resultado é uma textura semelhante à do bacalhau-negro japonês, mas com sabores austrais únicos.
⚠️ Disponibilidade limitada: a merluza-negra não aparece em todos os restaurantes de Ushuaia — é cara e a cota é limitada. Se você quiser prová-la, pergunte no Chez Manu, no Kaupé ou no Volpe e Uva na hora de reservar. Nem todos os dias eles a têm no cardápio.
Os melhores restaurantes em Ushuaia
A cena gastronômica de Ushuaia cresceu muito na última década. Hoje a cidade tem desde restaurantes clássicos especializados em centola que funcionam há décadas, até propostas mais modernas de cozinha autoral que trabalham os ingredientes fueguinos com técnicas contemporâneas. Também há opções bem econômicas para resolver uma refeição sem gastar demais. Aqui apresentamos o melhor de cada categoria.
🦀 Restaurantes clássicos — cozinha fueguina tradicional
Considerado um dos melhores restaurantes de Ushuaia há anos. Fica no Monte Susana, com uma vista panorâmica do Canal de Beagle e das montanhas nevadas do Chile que já vale a viagem. O cardápio trabalha com o melhor da cozinha fueguina — centola, cordeiro, truta — em preparos que respeitam o produto, mas o elevam com técnica. O gratinado de centola e o rack de cordeiro são obras-primas.
O restaurante mais focado em centola de toda a cidade. O El Viejo Marino trabalha diretamente com pescadores locais e tem centola fresca praticamente todos os dias da temporada. Sem complicações: o produto fala por si. As porções são generosas, o ambiente é informal e náutico, e o atendimento é experiente. O melhor lugar para comer centola ao natural, sem artifícios.
Um clássico do centro de Ushuaia com um cardápio equilibrado entre frutos do mar e carnes fueguinas. O María Lola se destaca pela sua centola gratinada e pelo cordeiro na grelha em diferentes cortes. Ambiente acolhedor e familiar, perfeito para um jantar sem pretensões, mas com excelente matéria-prima. A relação custo-benefício é das melhores da cidade.
✨ Restaurantes modernos — para uma saída especial
O restaurante mais elegante de Ushuaia e provavelmente o mais romântico. O Kaupé ocupa um casarão com vista para o canal e para o bosque, com uma iluminação acolhedora e uma proposta gastronômica autoral que trabalha os ingredientes fueguinos com sofisticação. O cardápio muda conforme a temporada e sempre tem uma seleção de centola, truta e cordeiro em versões que surpreendem. Ideal para um jantar de aniversário ou uma noite especial.
Uma das propostas mais interessantes que Ushuaia tem hoje. Cozinha autoral com ingredientes fueguinos, localizado com vista direta para o Canal de Beagle. O cardápio mistura influências mediterrâneas com os sabores austrais — risotos com centola, massa fresca com truta defumada, carnes fueguinas com reduções de frutas vermelhas. Carta de vinhos caprichada. Para quem quer algo diferente do restaurante clássico de centola.
💚 Opções econômicas — comer bem sem gastar demais
A rotisseria mais querida de Ushuaia. O El Rincón é o lugar onde comem os locais que querem comer bem sem gastar demais: pastéis de centola, guisados de cordeiro, cassoulets e tortas fritas recém-feitas. Sem pretensões de nenhum tipo, porções abundantes, ingredientes genuínos e um calor no atendimento que se nota desde que você entra. Se você quer entender como os moradores de Ushuaia comem de verdade, é aqui.
Um dos locais mais conhecidos de Ushuaia entre viajantes e moradores por igual. O Tante Sara é um café-restaurante que serve cafés da manhã, almoços e lanches com comida caseira de qualidade: sopas, tortas salgadas, sanduíches quentes, bolos. O ambiente é acolhedor, sempre tem gente, e os preços são muito razoáveis para a cidade. O bolo de chocolate e o chá com confeitaria são um ritual para quem volta de uma excursão.
Para quando o orçamento aperta ou você simplesmente tem vontade de um lomito bem feito. O Martinica é a referência de Ushuaia para os sanduíches de carne: o lomito completo (carne, presunto, queijo, alface, tomate, ovo) é generoso e bem executado. Também têm opções com cordeiro e com frango. O lugar mais barato para comer bem no centro.
Cerveja artesanal fueguina: Beagle, Cape Horn e a cultura do frio
A cerveja artesanal em Ushuaia não é uma moda recente importada de Buenos Aires — é uma tradição que tem suas raízes no clima extremo e na cultura das comunidades que foram se estabelecendo no Fim do Mundo. O frio, o isolamento e a necessidade de encontrar maneiras de se reunir com outros em torno de algo quente ou reconfortante impulsionaram o desenvolvimento de uma cena cervejeira local que hoje tem personalidade própria.
🍺 Beagle: a cerveja símbolo de Ushuaia
A Cervejaria Beagle é a mais conhecida e identificada com Ushuaia. Fundada por empreendedores locais, a Beagle tira o seu nome do famoso navio HMS Beagle que Darwin usou em sua viagem ao Fim do Mundo no século XIX, e do Canal que leva o mesmo nome. Sua linha principal inclui:
- Beagle Pilsen (Kölsch): leve, refrescante, com aroma floral. A mais acessível para quem não está acostumado com as cervejas artesanais. Perfeita para acompanhar a centola cozida ao natural.
- Beagle Ruiva (Amber Ale): cor cobre intenso, com notas de caramelo e malte torrado. Mais corpo e sabor que a pilsen. Harmoniza bem com o cordeiro na grelha.
- Beagle Preta (Stout): a mais encorpada. Escura, com notas de café e chocolate amargo, corpo cremoso. Ideal para os dias de muito frio, acompanhada de um guisado de cordeiro ou de uma tábua de queijos e embutidos fueguinos.
- Edições sazonais: a Beagle lança periodicamente edições especiais com ingredientes locais como calafate, frutas vermelhas austrais e frutas secas fueguinas. Vale a pena perguntar o que há disponível.
⛵ Cape Horn: a cerveja mais austral do mundo
A Cervejaria Cape Horn é mais boutique e menos conhecida que a Beagle, mas tem um espírito muito interessante: sua proposta visual e conceitual é completamente inspirada na cultura náutica do Canal de Beagle e na história dos navegadores que tentaram dobrar o Cabo Horn. Os nomes de seus estilos remetem a expedições históricas, ventos fueguinos e fenômenos climáticos do extremo sul.
A Cape Horn é especialmente valorizada pelos cervejeiros mais exigentes. Suas IPAs têm mais lúpulo e amargor que a Beagle, o que as torna ideais para quem vem do mundo das cervejas americanas artesanais. Seus estilos de temporada costumam incluir Porters e Barleywines pensados para o inverno fueguino.
A melhor maneira de provar as cervejas fueguinas é em uma degustação no bar da cervejaria. A Beagle tem o seu próprio local no centro, onde você pode pedir uma tábua de degustação com todos os estilos disponíveis em copos pequenos. Se você entrar depois de uma excursão ao Parque Nacional, essa tábua com uma tábua de queijos e embutidos locais vai ser um dos melhores momentos da viagem.
🍻 Onde tomar cerveja artesanal em Ushuaia
Além dos locais próprios das cervejarias, várias tavernas e bares do centro oferecem as marcas fueguinas de chope. O bar da Cervejaria Beagle no centro é o ponto de partida natural. Também são bons pontos para tomar uma pint os bares da rua San Martín, que é a artéria gastronômica principal da cidade. Muitos restaurantes oferecem a Beagle de chope como opção junto à carta de vinhos.
Chocolaterias artesanais de Ushuaia
A tradição chocolateira da Patagônia tem sua expressão em Ushuaia na forma de uma cena de chocolaterias artesanais que combinam a herança europeia da imigração com os sabores únicos das frutas do bosque austral. Não é exagero dizer que os chocolates de Ushuaia estão entre os melhores de toda a Argentina.
🍫 As três chocolaterias que você precisa conhecer
A chocolateria mais reconhecida de Ushuaia, com uma seleção de bombons, tabletes e trufas que utilizam frutas do bosque austral. Os bombons recheados com calafate, cereja e doce de leite são os mais vendidos. O local tem degustação, ambiente acolhedor e uma apresentação muito boa para levar como lembrança. Uma parada obrigatória em qualquer visita a Ushuaia.
A Mamushka combina chocolateria artesanal com uma proposta visual muito atraente. Seus produtos têm uma apresentação impecável e os sabores incluem combinações originais como chocolate branco com calafate, trufas de berries fueguinos e alfajores duplos banhados em chocolate meio amargo. É a chocolateria que aparece em todas as fotos de Instagram dos turistas que visitam Ushuaia.
Um local com história em Ushuaia que combina chocolateria com confeitaria artesanal. O El Turco é conhecido pelos seus bolos caseiros, doces e confeitaria tradicional, além dos chocolates. Menos focado no segmento premium que a Laguna Negra ou a Mamushka, mas com um charme próprio dos lugares que funcionam há décadas na mesma esquina. Muito bom para o lanche da tarde.
🎁 Lembranças gastronômicas: os chocolates artesanais da Laguna Negra ou da Mamushka são um dos melhores presentes para trazer de Ushuaia. Têm embalagem atraente com motivos fueguinos (o Canal de Beagle, o farol, o Parque Nacional), sabores únicos que não se encontram em outro lugar, e um preço muito acessível para quem vem do exterior. Uma caixa sortida de 250 gramas custa em torno de $8.000 a $15.000 ARS.
Além dos chocolates em caixa, as chocolaterias de Ushuaia também são um lugar ideal para o lanche da tarde. O chocolate quente fueguino — espesso, servido com chantili e algum acompanhamento doce — é quase obrigatório em um dia de frio. E os dias frios em Ushuaia são abundantes durante todo o ano.
Mercado artesanal e produtos para levar
Além dos restaurantes e das chocolaterias, Ushuaia tem uma oferta interessante de produtos regionais que você pode comprar para levar para casa. O Mercado Artesanal do centro — localizado na rua San Martín — concentra a maior variedade de produtores locais e é o melhor ponto de partida para fazer as compras de lembrança.
🛒 Os produtos mais procurados
Centola em conserva: sem dúvida a lembrança gastronômica mais procurada de Ushuaia. A centola enlatada ou em pote de vidro é de muito boa qualidade, não precisa de cadeia de frio para o transporte e permite levar o sabor do Fim do Mundo para casa. As marcas mais conhecidas são Punta Arenas e algumas produções artesanais locais. Certifique-se de comprá-la em lugares com bom giro de estoque para garantir que seja recente.
Geleia de calafate: o fruto do calafate (Berberis microphylla) também cresce na Terra do Fogo e suas geleias, compotas e conservas têm uma qualidade excelente. O sabor é semelhante ao da amora, mas com uma acidez mais pronunciada e uma cor violeta muito intensa. Em torradas com manteiga é uma experiência. Também combina muito bem com queijos macios.
Geleias de frutas do bosque austral: o bosque fueguino tem bagas nativas como a chaura, a leñadura e frutas de diferentes espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar do mundo. Algumas produtoras artesanais da região as transformam em geleias e compotas de produção pequena e sabores únicos. São difíceis de encontrar fora de Ushuaia.
Chocolates com calafate e frutas fueguinas: já mencionados na seção anterior, mas vale a pena repetir: os chocolates das chocolaterias locais com sabores fueguinos (calafate, cereja, frutas do bosque) são um presente excelente.
Licor de calafate: menos conhecido que o de El Calafate continental, mas igualmente delicioso. Cor violeta profundo, aroma frutado intenso, sabor doce com acidez equilibrada. É encontrado em lojas de lembranças e em algumas chocolaterias. Também há versões de gin e vodka fueguinos de produção artesanal que começaram a aparecer nos últimos anos.
Lã e têxteis de ovelha fueguina: não exatamente comida, mas o vínculo com o cordeiro é inevitável. Algumas estâncias da Terra do Fogo produzem artigos artesanais com a lã de suas próprias ovelhas — tecidos, meias, luvas e mantas que combinam qualidade com identidade fueguina autêntica.
O melhor momento para percorrer o Mercado Artesanal de Ushuaia é de manhã, entre as 10 e as 12 h, quando as bancas estão mais sortidas e os produtores mais dispostos a explicar o que cada coisa faz. Se você chegar na tarde do último dia antes de ir embora com as malas pela metade, vai desejar ter vindo antes: a variedade e a qualidade dos produtos locais costumam surpreender agradavelmente.
Tabela de preços em Ushuaia 2026
Os preços em Ushuaia são um pouco mais altos que em El Calafate, dado que quase todos os produtos de consumo precisam ser importados por ser uma ilha, e os frutos do mar têm um valor de mercado elevado. A seguir, uma referência em pesos argentinos para planejar o orçamento gastronômico da viagem.
| Tipo de refeição / saída | Faixa por pessoa (ARS 2026) | Exemplos |
|---|---|---|
| Econômico / rotisseria / lomitos | $12.000 – $22.000 | El Rincón, Lomitos Martinica |
| Café e lanche artesanal | $5.000 – $12.000 | Tante Sara, El Turco, Mamushka |
| Restaurante nível médio (sem centola) | $22.000 – $38.000 | María Lola, restaurantes da San Martín |
| Clássico com centola inteira | $25.000 – $40.000 | El Viejo Marino, Chez Manu, María Lola |
| Cordeiro na grelha (corte) | $20.000 – $35.000 | Chez Manu, María Lola, churrascarias do centro |
| Restaurante especial / cozinha autoral | A partir de $50.000 | Kaupé, Volpe e Uva, Chez Manu |
| Cerveja artesanal (pint) | $4.000 – $8.000 | Beagle, Cape Horn |
| Chocolates (caixa lembrança) | $8.000 – $25.000 | Laguna Negra, Mamushka |
| Centola em conserva (para levar) | $15.000 – $30.000 | Mercado Artesanal, lojas do centro |
💡 Orçamento diário estimado: para um casal com um estilo de viagem moderado (café da manhã no hotel, almoço em restaurante econômico, jantar em restaurante de nível médio com uma porção de centola), calcule entre $90.000 e $140.000 ARS por dia para as duas pessoas. Se você quiser jantar no Kaupé ou no Chez Manu, some entre $40.000 e $80.000 ARS extra nessa noite.
Dicas práticas: reservas, temporada da centola e onde encontrá-la mais fresca
O Chez Manu e o Kaupé se reservam com dois ou três dias de antecedência na alta temporada (novembro-fevereiro). O El Viejo Marino geralmente aceita walk-in, mas na primeira quinzena de janeiro pode haver espera. Se você tem uma noite especial planejada, reserve assim que chegar a Ushuaia.
Os dias de maior atividade das embarcações de centola são segunda, quarta e sexta-feira. Se a sua visita coincidir com esses dias, os restaurantes do porto têm a centola mais fresca. Chegue antes das 13 h para garantir os melhores exemplares do dia.
Se o seu principal objetivo gastronômico é a centola, os melhores meses são outubro, novembro e dezembro. Em janeiro e fevereiro continua disponível, mas a demanda turística é alta. De abril a agosto não há centola fresca — só em conserva.
Em Ushuaia se janta tarde como em toda a Argentina. Os restaurantes abrem para o jantar a partir das 19h30-20h. Se você chegar com fome às 18 h, as opções são as cafeterias como o Tante Sara e os locais de comida rápida. Não espere nada aberto para jantar antes das 19h30.
Ushuaia tem temperaturas baixas praticamente o ano todo. Mesmo no verão as noites são frias. Isso favorece os pratos de colher: o chowder de centola, o guisado de cordeiro e a sopa de frutos do mar são reconfortantes de uma maneira que poucas coisas são. Não fique só nos pratos frios.
A centola enlatada para levar se esgota fácil nas lojas com mais movimento na alta temporada. Se você pensa em comprá-la como lembrança, não deixe para o dia do seu voo. Melhor uns dois dias antes, para não sair de mãos vazias.
Um detalhe que pouca gente sabe: em Ushuaia existe o costume do "mate na excursão". Muitos guias de excursões levam água quente e erva-mate em seus veículos, e o mate corre no caminho para o Parque Nacional ou a Laguna Esmeralda. Se lhe oferecerem, aceite — é parte da cultura patagônica e uma maneira genuína de se conectar com o território e com as pessoas locais.
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Perguntas frequentes sobre gastronomia em Ushuaia
As dúvidas mais comuns dos viajantes sobre o que comer, onde e quando em Ushuaia.