Como se formou a Geleira Perito Moreno

A Geleira Perito Moreno começou a se formar há aproximadamente 30.000 anos, durante a última grande glaciação que cobriu boa parte do hemisfério sul. Naquela época, o gelo se acumulou progressivamente nos Andes patagônicos até formar o Campo de Gelo Patagônico Sul, um dos maiores reservatórios de água doce do planeta fora dos polos.

O processo é lento e constante: a neve cai nas zonas altas da cordilheira, se compacta durante anos sob o próprio peso e, com o tempo, se transforma em gelo glacial. Esse gelo flui para zonas mais baixas por gravidade, até alcançar o Lago Argentino, onde termina seu percurso.

Zona de acúmulo de neve nas alturas do Campo de Gelo Patagônico Sul
📐 Dado de escala

A Geleira Perito Moreno tem 257 km² de superfície, um comprimento de 30 km e uma altura de entre 55 e 74 metros acima do nível do lago. É uma das apenas três geleiras da Patagônia que ainda não recuam.

Por que ela continua avançando

O que torna o Perito Moreno especial em relação à maioria das geleiras do mundo é que ele continua crescendo. Enquanto 97% das geleiras em nível global recuam por causa do aquecimento climático, o Perito Moreno mantém um equilíbrio entre o acúmulo de neve nas suas zonas altas e o desprendimento de gelo na sua frente.

Os cientistas explicam esse fenômeno pela geografia particular do Campo de Gelo Patagônico Sul: as precipitações na cordilheira são excepcionais —entre 5.000 e 7.000 mm por ano nas zonas de acúmulo— o que alimenta continuamente a geleira desde cima, compensando o gelo que ela perde embaixo.

A dinâmica de avanço: de 2 a 3 metros por dia

A geleira avança entre 2 e 3 metros por dia na sua zona central, embora essa velocidade varie conforme a estação e o setor. À medida que avança, a frente glacial empurra a água do Lago Argentino em direção ao Canal dos Témpanos, criando uma barreira de gelo natural que separa o braço sul do resto do lago.

O mistério do gelo azul

Uma das primeiras perguntas que os viajantes fazem ao ver a geleira pessoalmente é: por que o gelo é azul? A resposta está na física da luz e na estrutura do gelo.

O gelo glacial é muito mais denso do que o gelo comum. Durante milhares de anos de compactação, o ar vai sendo expulso progressivamente da neve. Sem bolhas de ar, o gelo absorve os comprimentos de onda vermelho e infravermelho da luz e reflete principalmente a luz azul, que é a que percebemos. Quanto mais antigo e compacto é o gelo, mais intenso é esse tom azul.

Detalhe do gelo azul na frente da Geleira Perito Moreno

💡 Curiosidade: o gelo que você vê hoje na frente da geleira se formou a partir de neve que caiu há mais de 300 anos. Quando um bloco se desprende e cai no lago, ele libera água que ficou congelada desde o século XVII.

O fenômeno da ruptura

A ruptura da Geleira Perito Moreno é um dos espetáculos naturais mais impressionantes da Patagônia. Ela ocorre quando a geleira avança até tocar a Península de Magalhães, dividindo o Lago Argentino em dois setores. A diferença de nível entre as duas partes gera uma pressão hidráulica que acaba quebrando a barreira de gelo em um estrondoso desprendimento.

O processo pode durar semanas ou meses. A ruptura nem sempre é espetacular em um único momento: muitas vezes acontece de forma gradual, com desprendimentos sucessivos que vão erodindo a barreira por baixo até que ela colapsa.

🗓️ Frequência das rupturas

Historicamente, as rupturas ocorriam em intervalos de vários anos. No entanto, elas não seguem um calendário previsível. A mais recente foi documentada durante a noite, o que demonstra que é impossível prever o momento exato. Muitos viajantes esperam dias sem vê-la; outros a presenciam por acaso na sua primeira visita.

Quer ver a geleira pessoalmente?
Fale com a gente sobre disponibilidade e opções de passeio
💬 Falar no WhatsApp

A geleira e as mudanças climáticas

A Geleira Perito Moreno é estudada intensamente por glaciologistas do mundo todo justamente porque seu comportamento é uma exceção à regra. Enquanto 97% das geleiras patagônicas recuam de forma acelerada, o Perito Moreno mantém seu equilíbrio, o que o transforma em um laboratório natural inestimável para entender a dinâmica dos gelos no hemisfério sul.

No entanto, os cientistas alertam que esse equilíbrio não é uma garantia permanente. As temperaturas na Patagônia aumentaram entre 0,5 e 1°C nas últimas décadas e, embora a geleira ainda compense essa perda com as nevascas em altitude, os modelos climáticos de longo prazo não são otimistas.

Vista aérea da Geleira Perito Moreno e do Lago Argentino

Perguntas frequentes

Quantos anos tem o gelo da Geleira Perito Moreno?
O gelo da frente glacial tem entre 200 e 300 anos de idade. Nas zonas mais profundas e internas da geleira, o gelo pode ultrapassar os 10.000 anos.
Por que o Perito Moreno não recua como outras geleiras?
As precipitações extraordinárias nas zonas altas do Campo de Gelo Patagônico Sul —até 7.000 mm por ano— alimentam a geleira desde cima, compensando o gelo que ela perde na frente por derretimento e desprendimento.
É possível ver a ruptura da geleira durante um passeio?
Não dá para garantir, já que é um fenômeno imprevisível. O que você com certeza pode ver em qualquer visita são os desprendimentos de blocos de gelo no lago, que ocorrem várias vezes por hora e são igualmente impactantes. Tanto nas passarelas do Perito Moreno quanto no Minitrekking sobre o gelo você acompanha esses desprendimentos bem de perto.
Qual é a altura da frente da geleira?
A frente glacial tem entre 55 e 74 metros de altura acima do nível do lago. Mas essa é apenas a parte visível: abaixo da água há outros 70 metros adicionais de gelo.
🧊 Visite a Geleira Perito Moreno com guia especialista
25 anos levando viajantes às melhores geleiras da Patagônia
💬 Reservar pelo WhatsApp